Notícia
Ventura Terra – Documentário em Preparação


O Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca na prossecução da sua missão em valorizar e promover a memória e o património cultural da cidade tem em preparação a produção de um documentário sobre a vida e a obra do arquiteto Ventura Terra. O documentário estará associado a uma exposição que comemorará em 2016 os 150 anos do seu nascimento, Ventura Terra foi uma figura fundamental na arquitetura portuguesa contribuindo grandemente para a modernização da cidade de Lisboa no arranque do século XX.

 


Nota Biográfica:

Miguel Ventura Terra termina o curso de arquitetura da Academia Portuense de Belas Artes em 1886 e no mesmo ano ruma a Paris, onde frequenta a École Nationale et Speciale de Beaux-Arts tendo como professor Victor Laloux. De regresso a Portugal em 1896 adquire rapidamente notoriedade vencendo o concurso de reconstrução da câmara dos deputados, no convento de São Bento da Saúde, atual edifício da Assembleia da República.

Ventura Terra, percursor da arquitetura moderna a par de Raúl Lino, torna-se num dos mais importantes arquitetos portugueses do início do século XX. Autor de uma obra extensa, sobretudo em Lisboa, deixou-nos um património edificado de extrema importância com marcas indeléveis na arquitetura portuguesa.

Influenciado pelo estilo beaux-arts mas simultaneamente concentrado numa ideia cosmopolita e no seu maior problema a habitação, encarava a ciência moderna como meio para a fundamentação das opções técnicas. Imbuído pelo progresso, pelo higienismo e pelo valor patrimonial, defendia a autonomia disciplinar da arquitetura estando na origem da criação da Sociedade dos Arquitectos Portugueses, em atividade desde 1903, da qual foi o primeiro presidente e de onde nasceu o Anuário da Sociedade dos Arquitectos Portugueses (1905-1919) no qual chegou a colaborar.

Ventura Terra, vereador republicano na Câmara Municipal de Lisboa entre 1908 e 1913, vencedor do Prémio Valmor de Arquitectura por quatro vezes foi autor de palacetes, de habitações de rendimento qualificadas (essencialmente na capital), construções ecléticas, cosmopolitas e utilitárias, mas também de importantes equipamentos urbanos como a primeira creche lisboeta (1901), da Associação de Protecção à primeira Infância, a Maternidade Dr. Alfredo da Costa (1908) e os liceus Camões (1907), Pedro Nunes (1909) e Maria Amália Vaz de Carvalho (1913).

Miguel Ventura Terra projetou, igualmente, dois pavilhões da representação portuguesa na Exposição de Paris de 1900, bem como o pedestal do monumento ao Marechal Saldanha em Lisboa, a Igreja de Santa Luzia, de Viana do Castelo (1903), a Sinagoga de Lisboa, o edifício do Banco Totta & Açores, na Rua do Ouro (1906), o Teatro Politeama (1912-1913), e o Hotel de Vidago.

Todas as obras denotam o gosto do artista por uma monumentalidade não exacerbada por fachadas assimétricas e pela utilização de novos materiais não descurando o embelezamento dos edificios e do espaço público. entre o pragmatismo e o sonho, Ventura Terra fez inúmeras propostas de melhoramentos urbanos para a cidade de Lisboa, muitas não passaram do papel, outras foram parcialmente concretizadas. É da sua autoria um projeto urbanistico para o Parque Eduardo VII e um plano de melhoramentos da  zona ribeirinha da cidade. decisivo foi o seu plano de urbanização do Funchal (1915), projeto que se revelaria fundamental para a modernização da cidade insular. 

                                                   

Nota de Intenções:

No ano em que se comemoram os 150 anos do seu nascimento, o documentário tem como objetivo dar a conhecer ao grande público a obra de Ventura Terra, indo ao encontro da sua personalidade e destacando a sua visão sobre a arquitetura. Pretemde se primeiramente enquadrar a sociedade portuguesa sublinhando o contributo de Ventura Terra na emancipaçao da arquitetura como disciplina autónoma na trasição do séculoc XIX para o XX.

Ventura Terra não é importador passivo do estilo francês de fazer cidades, este preconceito generalizado numa opinião pública desconhecedora, tende a esconder a sua originalidade, a sua capacidade de experimentação e inovação, assim como a força do seu pensamento demiurgo. Terra não fica atras de outros arquitetos do seu tempo no que concerne as faculdades artisticas e está mesmo na vanguarda de vátrias soluções estéticas e técnicas decisivas na costrução da arquitetura moderna do século XX em Portugal.

Explorando as actas da Câmara de Lisboa e os artigos de jornais da época pretende se dar "voz ao arquiteto" edificando simultaneamente a estrutura do documentário com um corpo de entrevistas a investigadores e estudiosos da sua obra, a ponderar: Teresa Vasconcelos, Augusto França, Maria José Perdigão, António Francisco Fevereiro, José Manuel Carvalho Araújo, Maria de Lurdes Carreira, Rui Campos Matos, Ana Isabel Ribeiro, Delfim Sousa, Fernando Rosas, Raquel Henriques da Silva, Lurdes Rufino, Ivone Magalhães e Rui Jorge Ramos.

A par da componente informativa, o dicumentário tem objetivo envolver sensorialmente o espectador da arquitetura de Terra, filmando os seus edificios de forma cinemática, apresentando uma estrutura visual dominada pela imagem em movimento com panorâmicas, tilts, vistas aéreas, travellings e movimentos de steady-cam, nos espaços interiores

 

Direção Geral do Projecto| Jorge Ramos de Carvalho

Investigação | Fernando Carrilho, Hélia Silva e Rita Megre

Produção: Departamento de Património Cultural / Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca

Fontes Arquivísticas: Arquivo Municipal de Lisboa, Gabinete de Estudos OLisiponenses e Hemeroteca Municipal

Direção de Fotografia | Miguel Amaral

Som | Pedro Lourenço

Grafismos | Fátima Rocha