
“(…) comecei a pressentir que a animação é mais um meio do que um fim. Um meio para quê? Para descobrir, compreender e interpretar o mundo.” (José Manuel Xavier, no texto de introdução)
O cinema de animação não pode ser só relatado, a sua história só é perceptível se acedermos também aos seus traços. E este livro, com extrema sensibilidade e dinâmica, consegue fazer-nos viajar pelas cores, formas e movimentos animados pelos criadores portugueses. E, por isso mesmo, torna-se um objecto de imagens tão fortes quanto as suas palavras – poderia ser de outra forma, um livro sobre animação?
Como noutras edições da Videoteca a história é aqui tornada “viva”, contada na primeira pessoa por aqueles que a fizeram. Ilda Castro reúne conversas com os autores do cinema de animação português, conseguindo traçar o discurso na primeira pessoa do singular a partir dos seus pioneiros em Portugal nos anos 60 do século XX com Mário Neves, Servais Tiago, Artur Correia e Ricardo Neto, e conduzindo esse percurso até à primeira década do novo século com Abi Feijó e Regina Pessoa, Paulo Cambraia, Mário Jorge, António Costa Valente, Nuno Amorim, Humberto Santana, José Miguel Ribeiro e Zepe. António Gaio, Hernâni Barrosa e Vasco Granja são também presenças incontornáveis desta estória. A introdução é de José Manuel Xavier que num tom pessoal, nos dá de uma assentada uma visão da história da animação portuguesa (que se confunde inevitavelmente com o seu próprio percurso nela), desde os primeiros desenhos para a publicidade durante o Estado Novo, até à criação posterior mais essencial, livre. Desde logo neste texto se abre esta arte ao território do fílmico por excelência – retirando-a dos limites mui dignos mais redutores do cinema infantil – mapeando-a no campo do cinema, de que o movimento – se calhar mais do que a imagem – é o objecto.
Este é o segundo de uma trilogia de registos orais dedicada ao Cinema Português, realizada entre 1999 e 2004, que se completa com Curtas-Metragens Portuguesas [conversas com…], (1999) e com Cineastas Portuguesas 1874-1956 [conversas com…], (2000). Esta publicação foi editada por ocasião de uma mostra retrospectiva da História do Cinema de Animação em Portugal, com a exibição de 28 curtas-metragens de animação realizadas entre 1923 e 2004 – que decorreu na Cinemateca Portuguesa e para a qual contámos com a inestimável colaboração da Cinemateca/ANIM.
Ao longo da História do Cinema Português raras mas fortes, foram as presenças femininas, que irromperam um mundo maioritariamente masculino, com um ímpeto que está depois declarado nas suas obras.
O livro “Cineastas Portuguesas 1874 – 1956” reconstrói a história de um grupo significativo dessas mulheres, tornando-a viva através da recolha dos seus testemunhos. São histórias de passagens inesquecíveis pelo cinema português – como Noémia Delgado com “Máscaras” e Manuela Serra com “O Movimento das Coisas”, ou de cineastas que ainda hoje prosseguem na realização, como Margarida Gil ou Solveig Nordlund.
Partindo do lugar das mulheres no cinema português – não só cineastas, como trabalhadoras de outras áreas – o som, a distribuição –, o livro permite uma análise do invólucro social deste cinema mas ao mesmo tempo, não se reduzindo a essa questão de género, permite aceder a uma franja da história da criação cinematográfica, permite perceber processos de trabalho e preocupações daquelas que encorparam o cinema português durante o período visitado. São histórias de personagens fortes que num determinado momento deixaram a sua impressão no cinema português, em conversas que Ilda Castro orienta, privilegiando sempre o espaço de liberdade para o que é dito e para o imprevisto.
O percurso começa com as pioneiras de que se publica biofilmografia: Virgínia de Castro Almeida, Barbara Virgínia, Maria Emília Castelo Branco, Alice G. da C. Noronha Gamito, Maria Luísa de Bívar. Depois, seguem-se conversas com Noémia Delgado, Teresa Olga, Margarida Cordeiro, Monique Rutler, Paola Porru, Solveig Nordlund, Renée Gagnon, Manuela Serra, Margarida Gil, Rosa Coutinho Cabral, Cristina Hauser e Rita Azevedo Gomes. A cada autora se faz corresponder a respectiva filmografia e uma biografia escrita pelas próprias – a cujas datas de nascimento reportam as balizas cronológicas do título desta edição.
Pela documentação e registo da presença das mulheres no cinema e pela preservação da sua história na primeira pessoa do singular, “Cineastas Portuguesas 1874 – 1956”, torna-se uma peça incontornável na construção do puzzle em que se constitui a História do Cinema Português.
Este é o segundo de uma trilogia de registos orais dedicada ao Cinema Português, realizada entre 1999 e 2004, que se completa com Curtas-Metragens Portuguesas [conversas com…], (1999) e Animação Portuguesa [conversas com…], (2004). A par da edição desta publicação foi apresentada uma mostra retrospectiva que decorreu no Fórum Lisboa e incluiu – além de longas-metragens das realizadoras acima referidas –, curtas-metragens de Fátima Ribeiro, Jeanne Waltz, Inês Medeiros e Rita Nunes. De assinalar, a exibição do mais antigo filme português realizado por uma mulher, “Três Dias Sem Deus”, (1946), de Bárbara Vírginia, numa cópia gentilmente cedida pela Cinemateca Portuguesa/ANIM.
Ao longo do ano de 1998, a Videoteca Municipal organizou cinco retrospectivas dedicadas à obra de cinco cineastas portugueses: Manuel Mozos, Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões. Na altura, Ilda Castro conversou com quatro dos autores visitados e essas conversas, publicadas em “pequenos cadernos”, acompanharam as retrospectivas cinematográficas. Os cadernos incluem filmografia, fichas técnicas, sinopses dos filmes, e documentação fotográfica.
Foram editados quatro cadernos, cada um com uma conversa. Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões, são os autores presentes nestas publicações que o tempo constituiu em documentos e que testemunham um momento concreto da vida e obra de cada autor. Neles se fala da vida e obra mas também de situações do presente. Nesse sentido, são registos e fragmentos do quotidiano. Como fotografias.
Esses “pequenos cadernos” iniciam uma prática metodológica de publicação de “conversas”, que se constituem registos orais em tom informal – que a Videoteca prossegue nos anos seguintes –, registos objectivados na obra e experiência cinematográfica dos envolvidos mas sempre, privilegiando um espaço de liberdade para o que é dito e para o imprevisto.
“o mais importante é pôr as pessoas a pensar naquilo que tu estiveste a pensar durante não sei quanto tempo, pô-las a reflectir, a discutir alguma coisa e entusiasmaram-se na altura em que estão a ver.” in Konversa com Edgar Pêra
Ao longo do ano de 1998, a Videoteca Municipal organizou cinco retrospectivas dedicadas à obra de cinco cineastas portugueses: Manuel Mozos, Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões. Na altura, Ilda Castro conversou com quatro dos autores visitados e essas conversas, publicadas em “pequenos cadernos”, acompanharam as retrospectivas cinematográficas. Os cadernos incluem filmografia, fichas técnicas, sinopses dos filmes, e documentação fotográfica.
Foram editados quatro cadernos, cada um com uma conversa. Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões, são os autores presentes nestas publicações que o tempo constituiu em documentos e que testemunham um momento concreto da vida e obra de cada autor. Neles se fala da vida e obra mas também de situações do presente. Nesse sentido, são registos e fragmentos do quotidiano. Como fotografias.
Esses “pequenos cadernos” iniciam uma prática metodológica de publicação de “conversas”, que se constituem registos orais em tom informal – que a Videoteca prossegue nos anos seguintes –, registos objectivados na obra e experiência cinematográfica dos envolvidos mas sempre, privilegiando um espaço de liberdade para o que é dito e para o imprevisto.
“Tentar ter prazer na vida e ter prazer em viver, tentar equilibrar o desgaste, tentar não perder a dignidade.” in conversa com Rui Simões
Ao longo do ano de 1998, a Videoteca Municipal organizou cinco retrospectivas dedicadas à obra de cinco cineastas portugueses: Manuel Mozos, Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões. Na altura, Ilda Castro conversou com quatro dos autores visitados e essas conversas, publicadas em “pequenos cadernos”, acompanharam as retrospectivas cinematográficas. Os cadernos incluem filmografia, fichas técnicas, sinopses dos filmes, e documentação fotográfica.
Foram editados quatro cadernos, cada um com uma conversa. Rui Goulart, José Álvaro Morais, Edgar Pêra e Rui Simões, são os autores presentes nestas publicações que o tempo constituiu em documentos e que testemunham um momento concreto da vida e obra de cada autor. Neles se fala da vida e obra mas também de situações do presente. Nesse sentido, são registos e fragmentos do quotidiano. Como fotografias.
Esses “pequenos cadernos” iniciam uma prática metodológica de publicação de “conversas”, que se constituem registos orais em tom informal – que a Videoteca prossegue nos anos seguintes –, registos objectivados na obra e experiência cinematográfica dos envolvidos mas sempre, privilegiando um espaço de liberdade para o que é dito e para o imprevisto.
“Para mim a elaboração de um filme é complicada, frustrante, odiosa e… não há nada de mais aliciante!”, in conversa com José Álvaro Morais