PANORAMA
PANORAMA, grande quadro cilíndrico e contínuo, colocado de tal modo em relação ao espectador, que este tem a impressão da perspectiva de uma cidade ou de uma paisagem; grande extensão de paisagem que se desfruta de um ponto elevado. Situação geral; aspecto geral; condições gerais.
A Mostra do Documentário Português teve a sua primeira edição em 2006, e desde o primeiro momento pretende ser um canal privilegiado para aceder aos documentários feitos em Portugal ou por portugueses, contribuindo para um encontro entre quem faz e quem vê.
É uma plataforma de exibição e discussão das imagens que compõem o país. Lugar onde o documentário português é retratado de forma completa, na sua diversidade e riqueza, e onde espectadores, programadores, cineastas, produtores se juntam lado a lado para observar o estado actual do cinema documental português, e perceber que caminhos futuros se desenham para ele. É portanto um lugar para ver filmes, e um lugar que permite e convida a agir sobre esses filmes.
É uma Mostra não competitiva, a construção de um retrato, de uma vista larga e desafogada sobre a paisagem documental portuguesa, e a apresentação do conjunto de filmes que ao longo de um ano de produção permitem perceber essa paisagem. Ao mesmo tempo, PANORAMA pretende levar ao encontro com os cinemas e as obras daqueles que fundaram o cinema português. A rubrica «Percursos no documentário português» é exactamente uma visita a esta história, e permite descobrir obras, muitas delas fechadas ou esquecidas. Desde a primeira edição, PANORAMA permitiu o encontro e (re)descoberta da obra de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, António Campos, António Reis e Margarida Cordeiro. Ao atravessar a paisagem de hoje, com os caminhos que vêm de trás, PANORAMA pretende abrir os arquivos do cinema português, e assim permitir que esses arquivos ganhem vida e sejam devolvidos a quem pertencem: ao público.
Finalmente, PANORAMA pretende trazer à superfície as problemáticas que condicionam a criação documental portuguesa, através de um tema central que, todos os anos, guia a organização do programa e provoca um debate alargado. Ao longo das suas edições, PANORAMA tem perguntado: «para onde olha o documentário português?», «com que instrumentos cinematográficos se constrói?», «como se produz?», «como se ensina?», e, com atrevimento, volta a fazer as perguntas que já não são perguntas que se façam. Só desarrumando ideias fixas, se poderá avançar. E esse é o grande objectivo desta Mostra: permitir ver, levar a discutir, descobrir por onde ir.
PANORAMA é uma plataforma aberta e viva. É feita por aqueles que a visitam e nela apresentam os seus trabalhos, e é feita no encontro que daí nasce. É um convite. Renovado todos os anos.

